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segunda-feira, 24 de junho de 2013

É Proibido Vinagre


 Pois é amigos, tentar repesentar em sátira o que aconteceu de horrível naquela quinta feira
 não é algo muito fácil. Só alguém com espirito leve mesmo.

 Fui de bicicleta e logo me encontrei com os militantes do Espaço Socialista que estavam no ato assim como várias organizações de esquerda. Estavamos bem na retaguarda da marcha quando ouvimos lá debaixo, ainda em frente à Roosevelt, o barulho das bombas e todos ainda parados sem saber o que fazer. Quando de repente começa o cheiro das bombas de gás lacrimogênio. Avisei pra uma companheira que estava comigo para se ajuntar com outros militantes pois eu, estando de bicicleta, sairia sem poder ajuda-la.
 Ao não ter escapatória pela Roosevelt, desci direto para a Amaral Gourgel onde começamos à fazer barricadas com lixo e entulhos. Depois dalí fomos tentando passagem pelas ruas até assim chegar à Paulista mas sem muito sucesso pois tropas bloqueavam vias de acesso como a Consolação, Bela Cintra e Augusta. Só consegui chegar à Paulista me desvinculando de aglomerados para não chamar atenção das tropas que sempre, ao verem aglomerados de pessoas, vociferavam violência.
 Ao chegar, me deparei com um grupo em marcha diante de uma tropa que recuava até o momento que receberam reforço. Quando receberam, dispersaram todos e tive que descer a Augusta pedalando a mil por hora. Depois me lembro que atravessei a Consolação e me encontrei com um grupo que ainda montava barricadas pela Angelica descendo em direção à Santa Cecilia. Foi quando a noite de resistência acabou pra mim pois, ao chegar na praça onde o grupo resolveu encerrar o ato simbolicamente, veio uma tropa feroz por trás lançando bombas e atirando balas de borracha em todos inclusive nas pessoas que estavam sentadas pelos botecos da praça da Santa Cecilia. O grupo fugiu em direção à Amaral Gourgel enquanto eu e mais um camarada resolvemos encerrar as atividades por alí mesmo.
 E o resto não preciso dizer, as semanas seguintes foram de intensa agitação e o Brasil todo se convenceu que só indo às ruas é se pode mudar as coisas.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Eleições 2012


  "Quando a ação política se limita ao voto"

 As eleições funcionam como as redes do gol em um campo de futebol. Elas são o limite para os objetivos, as possibilidades e a participação política de cada cidadão e isso não é atoa. É óbvio que quanto menos se ouvir falar de ação política direta na sociedade, mais a burguesia brasileira, em sua "contra-revolução permanente" que, não aceita a mínima brecha para debate, aprofundamento ou visualização de idéias, se consolida ascendentemente na estrutura da sociedade.
 Os partidos que tentam levar algum nível de debate ( PSOL, PSTU, PCB) são massacrados pelo sistema eleitoral onde só quem, no "troca-troca" político, recebe financiamento de campanha das elites pode apresentar suas idéias que, na verdade, são apenas mentiras.


 O fiasco das pesquisas eleitorais!


 
Este é um ponto pra gente caçoar muito. Vocês ja sabem do fiasco das pesquisas em mais de 6 capitais. Alguns erros como no Rio onde apontavam Freixo (PSOL) com 19% (quando teve 28%), em Salvador onde apontavam ACM Neto (DEM) com 31% contra 34% de Pelegrino (PT) (quando na verdade teve 40% e 39%), em Manaus onde  , "tiraram do rico pra dar ao pobre",  apontavam Arthur Virgílio (PSDB)com 31% contra 29% de Vanessa Grazziotin (PC do B) (quando foi 40% e 19%) e em São Paulo onde apontavam empate técnico de 22% entre PSDB,PT e PRB, o que se viu foi, respectivamente, 30%, 28% e 21% nos resultados.
 Sem ficar naquele papo alienante sobre quem foi beneficiado ou prejudicado como, aliás, acabou de fazer o asqueroso Reinaldo Azevedo saindo em defesa de José Serra, essa é só mais uma lição sobre o quanto é errado orientar o voto segundo o mais forte e sem princípio ideológico algum. 


 Alguns pontos...


 Um destaque, ainda que moderado, vai para Marcelo Freixo do PSOL no Rio, que conseguiu 28% de votos fazendo um debate sadio, sem receber financiamento de megaempresários e sem fazer alianças espúrias (como fizeram em Macapá se unindo ao PV e ao PRTB) mas também teve como dissabor um vereador detido por fazer boca de urna, não levar mais a fundo a proposta Socialista e não ter se esforçado para fazer uma frente de esquerda junto ao PSTU e PCB como de praxe.
 No caso do PSTU, a professora "arretada" Amanda Gurgel, que se popularizou pelo vídeo em que bradou denuncias em plena uma assembleia de burocratas,  foi a vereadora mais votada da história de Natal, capital do Rio Grande do Norte, com mais de 32.600 votos, quase 9% dos votos válidos. Junto com ela, arrastou mais 2 vereadores da frente de esquerda PSTU/PSOL em Natal.

 
 Tomara que o próximo passo seja uma candidatura à prefeitura.

 A vitória de heloísa Helena para a câmara dos vereadores em Maceió parece ter colocado um pano sobre os rumores de que sairia do PSOL. Depois de ter dito que havia uma burocracia paulista se instalando no partido, buscando aliança com o PV para as eleições de 2010, indicando sua preferência em Marina Silva, contrariando a decisão das votações dentro do PSOL que indicaram Plínio de Arruda Sampaio à candidato, agora é eleita pela legenda de seu partido com 19.216 votos, o dobro do segundo colocado, contando com o apoio de sua amiga Marina Silva, com quem ainda, segundo os rumores, deseja criar uma nova legenda.
 Outro destaque vai para o 1° prefeito eleito do PSOL no pequeno município de Itaocara, interior do Rio de Janeiro.

 O ex-cortador de cana e presidente há 18 anos do Sindicato dos Servidores Públicos na região Gelsimar Gonzaga, não seguiu o mau exemplo das besteiras do PSOL em Macapá, fez campanha em um fusca amarelo 73 e não abrandou o discurso chegando até a falar em revolução armada. Vamos ficar de olho nesta administração do PSOL pois, mesmo que em um município pequeno, ela pode confirmar o modo como o PSOL vem trabalhando em votações importantes nos ambitos de representatividade, assim como também pode revelar defeitos e até possíveis traições da classe trabalhadora.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O 1° de Maio e Suas Reflexões

 Este foi um documentário que fiz em nome da minha organização, o Espaço Socialista, acerca do 1° de Maio e todo o seu significado para a classe operária no Brasil e no mundo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A educação do Estado e o estado da educação

 Ela é a origem e uma das causas raízes pelo adoecimento de qualquer sociedade e, não diferente, também da Brasileira. Sem dúvida, a educação à nível de Brasil vai de mal à pior. É um dos países que menos investe em educação (aproximadamente 5% do PIB) e só para que se esclareça que não é investimento privado ou riqueza que determina o quanto é avançada uma sociedade, estamos atrás de países como bolívia, Botswana e Cuba que está à 74 posições à nossa frente. O que faz a diferença é o quanto o País está disposto à retornar como resultado dos impostos pagos e não continuar à despeja-lo na mão de banqueiros e empresários, uma prática quase que natural da Direita, como tem feito os governos do PT, PSDB e seus aliados.
 Com muito prestígio, construí esta pequena matéria à convite da subsede da APEOESP de Santo André que é coordenada pela chapa Renovar Pela Luta, uma chapa democrática e que governa com horizontalidade, relatando apenas dois dos vários casos graves ocorridos na cidade de Santo André/SP onde o governo Estadual (Geraldo Alckmim PSDB) demonstrou apatia e descaso para com a população.
 O interessante é que no início do vídeo fiz questão de mostrar uma das matérias, "nada positivistas", divulgadas pelo portal do "narigudo" onde ele se gaba por um suposto remédio do caus que ele mesmo está causando. Nesta matéria ele mostra a "educação do Estado", ou seja, como anda a educação do ponto de vista do Estado.
 O que se vê depois não é a versão do Estado mas sim, a versão real de como andam os fatos, ou seja, o estado da educação.
 A matéria tem 8 min, espero que gostem e divulguem!



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O grupo dos "Cheira Gengiva"


O nome parece ser engraçado mas, pelo contrário, reflete a triste realidade de consciência política que se assenta no nosso país e não digo isso tomando como ponto de partida o voto.

O voto é apenas o término do ciclo que se inicia na ação política direta dos indivíduos, esta que é o principal e mais importante meio pelo qual se muda alguma coisa no sistema, na política e, em fim, na vida, afinal de contas, nós já sabemos que o que garante o mínimo de garantia de sobrevivência à população são conquistas pagas a custo direto dos indivíduos. Jamais houve algum direito concedido gratuitamente aos trabalhadores por algum político que se propague como messias redentor dos pobres. Poderíamos, apenas para dar alguns exemplos, começar por alguns direitos básicos que o trabalhador, se não tivesse, não sobreviveria, como o direito à férias conquistado à base de greves pelo mundo afora e o 13° salário conquistado legalmente aqui no Brasil pela greve geral de 5 de julho de 1962.

A ação direta e, necessariamente, através dela é que se revela o nível de consciência de uma sociedade engajada e comprometida com suas próprias necessidades. Mas não é assim que o sistema capitalista impulsiona as pessoas à pensarem e, à partir daí é que o voto é visto como o único instrumento de manifestação política. Isso interessa, obviamente, ás elites pois não tem que lhe dar com problemas referentes à ordem que querem manter. Mas até no voto fez-se perder o senso ideológico. Certa vez, ao ser questionado por que entrara para o PSB, que na época ainda era de esquerda, Tim Maia disse o seguinte: "O Brasil é o único País em que além de puta gozar, cafetão sentir ciúmes e traficante ser viciado, o pobre é de direita". Essa declaração expressa a verdade quando o que temos é "crise ideológica".

Essa crise se mostra primeiro na ausência das ações. Passa pelas opiniões mais burras, por exemplo hostilizando algum movimento social, seja ele estudantil, operário ou agrário, e quando chega nas urnas se concretiza e se completa na única maneira que a sociedade tem para exercer política. E é aí que a coisa continua feia pois não há polaridades ideológicas.

O que vemos de polaridade é entre o sujo e o mal lavado pois pense se há algum tipo de diferença entre o PT e o PSBD. Não tem ou, aliás, tem. É que o PSDB faz "privatizações" e o PT faz "concessões" de 25 anos. Vai toma no *!

Ou seja, o que temos são dois partidos que se revezam no poder graças à um eleitorado que "se não "tá" na barba do Lula, "tá" no bico do tucano", mas tem que cheirar uma gengiva.

Esse grupinho do ioiô pode ser caracterizado por alguns aspectos. Votam por interesses específicos e imediatistas não analisando a proposta geral mas sim o que lhes interessa e ainda tenho de dizer o que já ouvi de motivos para não votar em alguém como, por exemplo, o jeito de falar, a cor da camisa e até o penteado do cabelo. Também não gostam de falar em política e obviamente, este é o motivo por estarem tomando as piores decisões políticas possíveis. Mas temos que lembrar de quem é a culpa disso tudo.
A culpa não é deste eleitorado, ele é só o reflexo. Antes dele vem os próprios partidos, principalmente os que eram de esquerda, que destruíram qualquer ideia com relação ao socialismo e deram um salto enorme à direita. É óbvio que isso deixou muitas pessoas desacreditadas ou então não viram mais uma alternativa real ás suas expectativas.

O resultado é essa crise ideológica. Daí a gente já conhece o panorama e eu não preciso falar.



Crise de Consciência

 Os shoopings estão cheios e mais cheios a cada dia que passa, o futebol ocupa metade do tempo que resta ao trabalhador fora do trabalho (e até dentro dele), a religião faz com que todas as esperanças de vida sejam projetadas a luz de uma divindade, a televisão com seus programas atrativos e suas mentiras e os bares, casas de show e discotecas terminam, assim, de preencher o resto de de tempo que um trabalhador tem sem ser explorado, afinal, ninguém é de ferro. Quando mais, ele pratica um esporte ou alguma arte (isso se tiver dinhero) mas, mesmo asim, faria parte da mesma lógica que o resto das atividades.
 Pronto, está fechado o ciclo de vida de um trabalhador normal. É isso mesmo, ele está predestinado à fazer somente essas coisas na vida. Quando você observar um recém nascido e alguém perguntar o que ele vai fazer da vida, você ja deverá julgar esta uma pergunta retórica: ele vai crescer, ser explorado por uma classe dominante e, com a miséria que recebe pelo seu trabalho, vai gastar indo ao shooping, comprando utensílios futebolísticos, indo à estádios ou apostando, contribuindo com algum "guru" espiritual com esperanças de que a vida melhore e visitando um bar ou uma balada que lhe apresente a proposta de se esquecer dos problemas da vida. Mas esta proposta é o que move todos os outros itens.

 O Shooping com suas redes de compra, cinemas, fast-foods e salas de games não oferecem nada além do que a saída, o escape para que o indvíduo possa se alegrar um pouco, assim como as atrações televisivas cheias de risos e todos os outros itens.
 A vida não é boa, é ruin e é até mesmo péssima. Por isso é necessário arranjar-se destes subterfúgios para que o sofrimento seja amenizado. Isso demanda questões complicadas referentes, por exemplo, ao uso de drogas e à beleza das artes que espero tratar em outro texto.

 O uso apenas deste argumento não basta para que um trabalhador que leva uma vida dura continue à "dar corda" neste mecanismo. É preciso também tornar isto questão de "Status". E é à partir daqui que o consumo passa a tomar um nível superior e, até, espiritual. O cientista da religião Jung Mo Sung diz o seguinte em um de seus livros:
 "No passado, não tão distante, quando as pessoas se sentiam "impuras" ou, na linguagem mais contemporânea, deprimidas, iam às igrejas ou outros lugares sagrados para rezar ou participar de algum rito. Hoje em dia as pessoas preferem ir a um Shopping Center fazer compras ou ver vitrines. Não é à toa que a arquitetura dos shoppings tem muitos elementos que nos lembram templos e catedrais. Esse pequeno exemplo nos mostra que há um tipo de experiência espiritual que acontece na vida cotidiana das pessoas através do mundo da economia".

 Poderíamos citar também o psicanalista Erich Fromm com o famoso Ter ou Ser de 1978 onde no capitulo 4 do livro deixa claro que a sociedade passa à manter uma relação com a mercadoria onde é buscado nas marcas de luxo uma dimensão espiritual que complementa a vida religiosa comum.

 Perguntas como "se é de marca" ou "se é original" (porque não basta ser só de marca) são exemplos de como valores são implantados nas mentes sem obvia percepção. À algum tempo atrás presenciei um amigo indo à um bar, sentando em uma mesa (sozinho) e pedindo uma garrafa de Red Label que o bar oferecia à custo de R$ 280,00. Só um detalhe: ele não gosta de beber e ainda me confessou que comprou somente para atrair atenções no lugar em que estava. O que dizer disto senão que é uma clara manifestação do que eu disse pouco acima. Esses são alguns motivos pelos quais o indivíduo está em todos esses lugares. Mas o que podemos notar, é que, em nenhum momento ele está questionando a própria ordem dos fatos e de como as coisas acontecem. Por que será?
 O mais interessante é que o mínimo de recursos que restam à um trabalhador são usados para abastecer os próprios causadores de todos os motivos para que sua vida seja tão difícil quanto é, seja enriquecendo, desde um empresário isento de impostos, passando por um que seja bandido e sonegador até aquelas elites mais oligárquicas e podres que gozam de tudo que as outras gozam e mais um pouco, sem ao menos ele se preocupar para onde está indo seu dinheiro com o inocente pensamento de que está empregando alguém.

A miséria que sai de um pra todos, é devolvida logo em seguida para que possa continuar recebendo, mesmo que em menor parte, posteriormente. É o ping-poing da vida onde o ganhador é sempre o mesmo mas, obviamente, até quando o outro lado enxerga a verdadeira saída (possibilidade que não pode ser descartada) e começa, à partir dela, interferir neste curso da história e as coisas passam a não serem mais predestinadas mas sim, passam a tomar novos contornos e novas formas, talvez até, nunca tomadas na história.







segunda-feira, 23 de julho de 2012

Ampliando o termo "Lulismo"

 
Existe o vasco que contratou o Romário (38 anos) em 2005, o Atlético mineiro que contrata o Ronaldinho Gaúcho (32 anos), e os eleitores que votam no Lula e na Dilma... e os eleitores que votam na Marina... e não acaba por aí.

Analisar personalidades históricas, reconhecendo seus papéis e relevâncias (por mais justas que sejam), e caracterizá-las levando em conta apenas suas obras no passado não é um hábito apenas do vasco, do Atlético mineiro ou dos eleitores do Lula. É uma prática quase que comportamental do ser-humano gostar de personalidades por seu passado e pelo seus feitos ainda que sejam à décadas atrás. E essa é uma afirmação muito séria porque contradiz o que acontece entre indivíduos de um mesmo ambiente social que é sempre associar outros indivíduos à alguma falha mesmo que este tenha sido um santo até minutos antes. Pois é, em ambientes outros da vida, isso é o oposto.

Não estou com isso querendo dizer que o Lula se elegeu por causa de pessoas cientes de que posição exerceu, como entrou pra vida política, o que fez de aproveitável pela sociedade, ou seja, o Lula não não foi eleito pelo motivo do voto de pessoas esclarecidas. Se fosse desta forma ele continuaria tendo o desempenho "anos noventistas" nas eleições. Aliás, parte dos eleitores do PT fazem parte do "cheira gengiva", se não tá na barba do Lula, tá no bico do tucano. Mas mesmo assim uma parcela sifnificativa de seus eleitores se enquadra no que quero dizer aqui.

Estou falando de uma galera até que bacana, esclarecida, vão desde trabalhadores que não arredavam pé da greve até intelectuais marxistas que ajudaram muito o PT á ser referência de ética (entre demais partidos) em meados dos anos 90, mas por algum motivo pararam no tempo.

Personalidades como a socióloga Maria Victoria Benevides, o cientista político Juarez Guimarães, o economista Paul Singer, e até mesmo a filósofa Marilena Chaui, que sequer criticou o partido quando estourou o mensalão mas, por algumas posições progressistas e sua obra literária também posso cita-la, são exemplos de como ainda há restos de análise intelectual no governo do PT. O que poderíamos dizer disto senão que essas pessoas pararam no tempo e se prendem à um objeto de admiração que não representa nada na esfera intelectual.

No caso de Marina Silva (que não se pode dizer que seja igual a maioria dos políticos mas também não aproveitou duas oportunidades cruciais pra deixar o partido (anos 90, com o PSTU e o PCO, e em 2004 com o PSOL) e ainda caiu no pecado de entrar para um partido que de verde não tem nada (tendo como vice o dono do grupo natura Guilherme Leal), recebeu apoio de parte da população que se preocupa "alienadamente" com a questão ambiental e também de intelectuais como Leonardo Boff que a cada discurso citava o passado de Marina e o mesmo erro cometeu ao apoiar Dilma Roussef que, a cada dia, ajuda a implementar a política neoliberal reforçando o ataque à classe trabalhadora iniciado por Lula (reforma da previdência, privatizações como dos aeroportos e ferrovias, intervenções militares como no Haiti, etc).

 
 
Deste modo, "Lulismo" passa a ser mania preferida da burguesia pois depois de cooptadas as figuras necessárias, toma-se pra si o caráter de um astuto argumento fazendo parecer que não existe mais polaridades de pensamento (proposta motivo pela qual tanto se propagandeia a tal idéia de "não existe mais esse negócio de Esquerda e Direita"). Daí então podemos ver um "Lula da vida" implementando medidas "mauthusianas" que tudo é visto como normal e aceitável pois agora a Esquerda faz o que a Direita faz e não tem novidades.

"Lulismo" se torna apenas uma das ferramentas para que o poder político de uma classe se transforme em hegemonia. O populismo, talvez a mais efetiva, sempre varreu e, provavelmente, vai continuar varrendo os resquícios de alternativas políticas saudáveis existentes ainda em solos proletariados.